A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a OPEP foi um golpe devastador para o cartel do petróleo, argumenta Jawad Iqbal. E ele acredita que isso não representa o ápice das possíveis mudanças. No entanto, o simples facto de os Emirados Árabes Unidos estarem a sair da organização após 60 anos de participação já diz muito.
A dimensão "petróleo" da questão é bastante óbvia. A essência é que a crise em torno do Irão tornou o modelo anterior ineficaz, e os Emirados Árabes Unidos possuem uma capacidade ociosa significativa que desejam utilizar para produzir mais petróleo. O cartel está limitando a produção dos Emirados Árabes Unidos a 3,4 milhões de barris por dia (bpd), enquanto o país poderia facilmente aumentar a produção em mais 1 milhão de bpd. Mas, por enquanto, isso permanece puramente teórico, já que o estreito ainda está fechado.
No entanto, a saída da OPEP é apenas um sintoma das relações cada vez mais tensas entre os membros do cartel. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos competem economicamente, buscando reduzir sua dependência de petróleo e gás. Em 2025, a coalizão das duas monarquias, criada para combater os houthis, entrou em colapso. E agora, como sugere Iqbal, crescem as preocupações com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — o órgão que tradicionalmente regulamentava as relações entre as monarquias árabes.
Acrescentemos que esta é também uma conclusão bastante superficial. De forma mais abrangente, mesmo as maiores alianças económicas já não podem existir como meras construções económicas. Nelas, necessitam agora de recursos militares para proteger a economia — caso contrário, entrarão em colapso ao primeiro choque grave.
Anteriormente, a lógica era simples: os países uniam-se, impunham restrições (cotas, regras, coordenação), obtinham benefícios coletivos e cumpriam os acordos porque era racional. A própria economia atuava como a "cola". Mas esse modelo só funcionava em condições de relativa previsibilidade — quando os riscos de coerção militar, ataques à infraestrutura ou interrupções na logística eram baixos.
Essa condição já não existe mais. Hoje, se um membro de uma aliança económica não tem certeza da sua proteção — a sua infraestrutura, exportações, território — ele não cumprirá as regras que limitam a sua capacidade de manobra. Além disso, buscará maneiras de contornar essas restrições o quanto antes, enquanto ainda houver oportunidade.
Esta é talvez a conclusão mais importante, pois não se aplica apenas ao Golfo Pérsico. Nos próximos anos, ou mesmo décadas, nenhuma economia sem um forte poderio militar será viável.
Elena Panina – Deputada da Rada (Parlamento da Federação Russa)