CAMPO POLÍTICO
Os Estados Unidos apresentaram cinco condições para um acordo com o Irã, incluindo permitir apenas uma instalação nuclear operacional e transferir 400 quilos de urânio para Washington. Teerã respondeu exigindo o fim da guerra em todas as frentes, alívio das sanções, liberação de ativos congelados, compensações por danos e reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.
A Casa Branca afirmou que Donald Trump e Xi Jinping alcançaram acordos comerciais e de segurança durante a cúpula na China, em um esforço para estabilizar a relação bilateral em meio à guerra no Golfo. Analistas avaliam que os entendimentos podem redefinir o equilíbrio estratégico entre as duas maiores potências do mundo.
Entrou em vigor na Cisjordânia a nova lei israelense que permite a execução de prisioneiros palestinos condenados por ataques contra israelenses. A medida foi criticada por organizações internacionais e autoridades palestinas, que afirmam que a legislação viola normas internacionais.
O chefe da política externa da União Europeia alertou que Estados Unidos, China e Rússia buscam enfraquecer a coesão europeia em um momento de crescente competição global. Segundo ele, o bloco enfrenta pressões simultâneas de potências rivais que tentam explorar divisões internas.
O filho do presidente palestino Mahmoud Abbas, Yasser Abbas, foi eleito para o comitê central da Fatah, apesar de viver majoritariamente no Canadá. A decisão gerou críticas internas e acusações de fortalecimento de dinastias políticas dentro do movimento.
Nos Estados Unidos, a ex congressista Marjorie Taylor Greene afirmou que qualquer envio de tropas norte americanas ao Irã desencadearia uma “revolução política”, revelando tensões internas sobre o rumo da guerra. O senador Lindsey Graham defendeu ataques diretos à infraestrutura energética iraniana até que Teerã aceite os termos norte americanos.
O diplomata russo Mikhail Ulyanov sugeriu que o Irã nomeie um enviado especial para Moscou, replicando o modelo adotado com a China. Na França, Jean Luc Mélenchon acusou a Europa de cumplicidade nos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
A Governadoria de Jerusalém denunciou como grave violação do direito internacional a decisão israelense de transformar o antigo complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah em instalações militares, incluindo um museu do exército e um escritório de recrutamento.
CAMPO ECONÔMICO
As bolsas globais operam em queda diante da escalada militar e do risco de novos ataques contra a infraestrutura energética iraniana. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq apontam para mais um pregão negativo. Na Europa, o FTSE 100 e o Euro Stoxx 50 recuam com temores de inflação persistente e desaceleração econômica.
O petróleo Brent sobe para cerca de 111 dólares por barril, aproximando se do maior nível em semanas, enquanto o WTI é negociado em torno de 106,5 dólares. A alta reflete o impasse diplomático e o risco de ataques diretos a instalações energéticas no Irã.
O gás natural volta a subir, com cotações próximas de 3 dólares por milhão de BTU, impulsionado por preocupações com abastecimento futuro. O ouro permanece acima de 4.500 dólares a onça, sustentado pela busca global por proteção. A prata recua levemente, enquanto o cobre cai cerca de 1 por cento, pressionado por temores de desaceleração industrial.
O trigo sobe cerca de 3 por cento, com cotações em torno de 654 centavos por bushel. O milho também avança, enquanto a soja permanece estável com tendência de alta moderada. O mercado de fertilizantes segue pressionado, com ureia, amônia e potássio em patamares elevados devido a custos energéticos e restrições logísticas.
Entre os minerais estratégicos, o lítio mantém preços altos com projeções de valorização ao longo de 2026. Cobalto e terras raras seguem no centro das atenções, com o Ocidente buscando reduzir a dependência da China em meio à corrida tecnológica.
CAMPO MILITAR
Donald Trump voltou a advertir o Irã de que “o relógio está correndo” para que um acordo seja alcançado, em meio a relatos de que Estados Unidos e Israel podem estar planejando ataques contra a infraestrutura energética iraniana. Teerã respondeu afirmando que suas forças armadas estão totalmente preparadas para enfrentar qualquer nova agressão.
O New York Times revelou que Israel opera duas bases secretas no deserto ocidental do Iraque e que soldados israelenses teriam matado um pastor e um militar iraquiano para ocultar uma dessas instalações. A presença de postos clandestinos amplia o alcance operacional de Israel no interior do Oriente Médio.
No Golfo, os Emirados Árabes Unidos confirmaram que um drone atingiu um gerador elétrico próximo à usina nuclear de Barakah, provocando um incêndio. Outras duas aeronaves foram neutralizadas. A Arábia Saudita interceptou três drones provenientes do espaço aéreo iraquiano e alertou que responderá a qualquer violação de sua soberania.
Israel manteve os bombardeios no sul do Líbano, ordenando evacuações em quatro localidades e atacando duas delas. Em Az Zrariyah, um ataque atingiu um veículo em movimento, enquanto outra ofensiva em Tayr Debba resultou em diversas vítimas.
CAMPO TECNOLÓGICO
O ataque com drone próximo à usina nuclear de Barakah reacendeu preocupações sobre a vulnerabilidade de infraestruturas críticas no Golfo. As autoridades dos Emirados afirmaram que não houve liberação de material radioativo e que a instalação permanece segura, mas o episódio destaca a crescente sofisticação dos ataques com drones na região.
O Reino Unido implantou no Oriente Médio o sistema de mísseis APKWS, que permite aos caças RAF Typhoon neutralizar drones hostis a um custo muito inferior ao de mísseis tradicionais. A medida reflete a necessidade de defesas escaláveis diante do aumento de ataques de baixo custo.
CAMPO PSICOSSOCIAL
As filas para conseguir pão em Gaza aumentam rapidamente à medida que Israel restringe a entrada de farinha e combustível no enclave. Padarias operam com capacidade reduzida e lutam para atender a demanda crescente, enquanto organizações humanitárias alertam para o risco de colapso alimentar.
A Flotilha Global Sumud, composta por ativistas de 39 países e destinada a levar ajuda humanitária a Gaza, foi cercada e atacada por barcos israelenses em águas internacionais. O episódio gerou forte indignação global e reacendeu o debate sobre o bloqueio imposto a Gaza. Horas depois, a sala de crise da flotilha informou ter perdido contato com 23 embarcações, aumentando a preocupação internacional e levantando suspeitas de bloqueio eletrônico ou apreensão forçada.
A conversão do antigo complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah em instalações militares israelenses gerou forte indignação entre palestinos e organizações internacionais, que denunciam a medida como tentativa de apagar a presença histórica palestina em Jerusalém Oriental.
ANÁLISE GRU!
O cenário de 18 de maio de 2026 confirma que a guerra no Golfo se transformou em um conflito sistêmico, com múltiplas frentes militares, colapso diplomático e impacto direto sobre mercados globais. A escalada de ataques com drones, operações clandestinas e bombardeios no Líbano mostra que o conflito se expandiu para além do eixo Estados Unidos–Irã, envolvendo todo o Oriente Médio. A cúpula entre Trump e Xi trouxe estabilidade limitada, incapaz de conter a volatilidade global.
No campo econômico, o petróleo acima de 110 dólares, o ouro em máximas históricas e a pressão sobre fertilizantes e grãos indicam que o conflito já se traduz em inflação persistente e risco alimentar crescente. A guerra tornou se um vetor central da instabilidade global, afetando cadeias produtivas, rotas marítimas e alianças estratégicas. A tendência é de prolongamento da crise, com impactos profundos sobre energia, segurança e geopolítica.
Marco Coutinho and Marlus Santos from GRU! Geopolítica em Ação in Substack