Por Komia Yawo
No Níger, um intenso tiroteio deflagrou na quinta-feira, 18 de junho de 2026, nas imediações do Aeroporto Internacional de Niamey, acordando os residentes às 6h da manhã, hora local. A troca de tiros, envolvendo o uso de armas pesadas, durou quase duas horas até que a calma fosse gradualmente restabelecida. Segundo os relatos iniciais, um grupo de atacantes armados conseguiu forçar a passagem pelo principal posto de segurança localizado à entrada da zona do aeroporto.
Perante esta intrusão, as Forças Armadas do Níger (FAN), apoiadas pelos seus parceiros de treino russos, reagiram de imediato para repelir a incursão. Um impressionante esquema de segurança isolou rapidamente a área, à medida que as forças de segurança alargaram o seu perímetro, fechando o acesso ao palácio presidencial e ao gabinete do primeiro-ministro para realizar extensas operações de busca.
Uma infra-estrutura crítica sob fogo repetido de grupos armados no Sahel
Após várias horas de silêncio e incerteza, o Ministério da Defesa do Níger dirigiu-se oficialmente à nação ao final da tarde com uma declaração lida na televisão nacional, revelando um balanço particularmente elevado. As autoridades lamentaram a morte de treze mártires, incluindo onze membros das forças de defesa e segurança e dois civis, bem como quatro feridos.
Do lado dos atacantes, a resposta militar resultou na neutralização de vinte e dois terroristas e na detenção de cerca de vinte suspeitos. Apesar da violência dos confrontos, o Ministério procurou tranquilizar a comunidade nacional e internacional, especificando que o aeroporto internacional, agora totalmente seguro, permanecia aberto ao tráfego aéreo, embora todas as unidades da capital se mantivessem em alerta máximo, com o aumento dos postos de controlo e dos controlos de identidade.
Este novo alerta surge no meio de vulnerabilidades recorrentes neste aeroporto, que alberga também a principal base aérea do exército nigerino. No final de janeiro de 2026, o local já tinha sofrido um ataque de grande escala reivindicado pelo Estado Islâmico, durante o qual quatro pessoas ficaram feridas e foram reportados danos materiais significativos.
Após este incidente, o chefe do regime militar, General Abdourahamane Tiani, reconheceu publicamente as fragilidades do sistema de segurança, explicando que o objectivo dos terroristas era paralisar e destruir toda a capacidade aérea do país. As autoridades responderam demolindo os bairros informais circundantes, erguendo vedações e instalando uma densa rede de câmaras de vigilância. Este ataque repetido demonstra que o aeroporto continua a ser o principal alvo de grupos armados, ansiosos por atacar o regime no cerne da sua soberania.
Níger: Os Desafios de Segurança do CNSP Face às Novas Alianças Geopolíticas
Numa perspectiva geopolítica, este acontecimento agrava a ruptura diplomática entre o Níger e os seus antigos aliados. Desde o golpe de Julho de 2023, a junta militar rompeu os seus acordos de defesa com a França, que acusa regularmente de cumplicidade com movimentos subversivos, e renunciou ao apoio militar tradicional do Ocidente, virando-se para novos parceiros como a Rússia, a Turquia e o Irão.
O General Tiani está também a utilizar estes acontecimentos para endurecer a sua retórica contra os chefes de Estado regionais percebidos como hostis à transição do Níger, particularmente na Costa do Marfim e no Benim. Este último ataque em Niamey ilustra a complexidade da situação de segurança no Sahel, onde alianças estratégicas instáveis e o destacamento de forças paramilitares parceiras ainda lutam para garantir uma proteção duradoura aos centros urbanos contra incursões de grupos terroristas.
Fonte: The African Investigator
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