"Israel rejeita o documento dos 15 pontos", declarou Netanyahu no domingo, durante uma reunião do Governo israelita, referindo-se ao plano para Gaza apoiado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
O primeiro-ministro israelita acrescentou que o exército israelita "não realizará qualquer retirada até que o Movimento de Resistência Islâmica Palestiniana (Hamas) esteja verdadeiramente desarmado", especificando que isto inclui "armas pesadas, armas ligeiras, todas as armas" e insistindo que deve ser um "desarmamento real, não fictício".
Netanyahu reafirmou ainda que "enquanto eu for primeiro-ministro, não haverá um Estado palestiniano". Isto acontece dias depois de o Conselho de Segurança apoiado pelos EUA ter condicionado a retirada israelita do território palestiniano bloqueado ao desarmamento total do Hamas, uma medida que contradiz os termos do acordo alcançado no ano passado, enquanto Israel ainda não cumpriu os seus próprios compromissos de retirada.
De acordo com o acordo do ano passado, a "Linha Amarela" foi estabelecida como a fronteira inicial para a retirada das forças de ocupação israelitas, enquanto as retiradas subsequentes deveriam ocorrer em conjunto com o desmantelamento gradual do armamento da resistência.
No entanto, as forças israelitas não realizaram as retiradas planeadas. Em vez disso, continuaram a sua agressão militar, atravessaram a "Linha Amarela" e estabeleceram posições militares permanentes, na sequência da iniciativa lançada por Washington em Outubro de 2025.
Hamas rejeita desarmamento e exige cumprimento do acordo
Por seu lado, o Hamas reafirmou no domingo o seu compromisso com os acordos alcançados com os mediadores e o chamado Conselho de Paz sobre o roteiro para a conclusão da segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza.
Em comunicado, o movimento palestiniano reiterou a sua disponibilidade para participar “responsavelmente” na implementação dos 15 pontos acordados e apelou ao estabelecimento de um calendário claro para a sua execução. “A prioridade nesta fase deve ser garantir a plena implementação do acordo em todas as suas etapas e exigências, o que levará a um cessar-fogo completo, ao fim da agressão contra o nosso povo, à conclusão da retirada do exército israelita, à abertura das passagens de fronteira, à entrada de ajuda e mantimentos para os deslocados, ao início do processo de reconstrução e ao reforço do Comité Nacional para que possa exercer plenamente as suas funções na Faixa de Gaza”, declarou o movimento.
Além disso, o movimento palestiniano instou os mediadores, os garantes e o Conselho de Paz de Trump para Gaza a assumirem as suas responsabilidades, a garantirem o cumprimento dos acordos por todas as partes e a prevenirem quaisquer violações que possam dificultar a sua implementação ou enfraquecer o cessar-fogo.
O movimento palestiniano afirmou que continuará a procurar a conclusão do acordo de forma positiva e responsável, com o objectivo de pôr fim ao sofrimento do povo palestiniano e preservar os seus direitos e interesses nacionais.
Neste contexto, o Hamas anunciou que irá dissolver o comité de emergência encarregado da administração de Gaza, embora se tenha recusado a desarmar o seu braço armado.
Os grupos de resistência palestinianos também deixaram claro que a rendição não é uma opção face à tentativa liderada pelos EUA de redefinir o futuro de Gaza.
Entretanto, a reconstrução começou mal em grande parte de Gaza, e apenas uma fracção dos cerca de 17 mil milhões de dólares prometidos foi garantida. Os principais doadores evitaram financiar projectos em áreas ainda sob controlo israelita, considerando que isso poderia legitimar a ocupação.
Desde que acordou um cessar-fogo com o Hamas, em Outubro do ano passado, Israel continua a perpetrar ataques mortais quase diariamente na Faixa de Gaza cercada.
O Canal 12 israelita noticiou a 4 de julho que Israel poderia retomar uma ofensiva militar de grande escala em Gaza dentro de dois meses.
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