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Venezuela: A triste realidade
Eu disse isso em janeiro. Chamaram-me de tendencioso. Hoje Delcy dá-me razão.
Por Administrador
Publicado em 11/08/2026 09:30
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No dia 3 de janeiro de 2026, escrevi algo que me rendeu críticas. Disse que na Venezuela houve traição. Disse que Maduro não caiu apenas pela força bruta do império, mas porque os grandes da Revolução Bolivariana o entregaram. Chamaram-me de tendencioso. Disseram-me que era uma acusação grave, que eu não tinha provas, que a unidade era o principal.

Fiquei em silêncio por um tempo. Não por duvidar. Mas porque a história precisava falar. E hoje, depois de ver a entrevista de Delcy Rodríguez com o jornalista espanhol Javier Negre, correspondente do ABC, não preciso de mais provas. A história falou por mim.

A entrevista que confirma tudo.


Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, sentou-se diante de um meio internacional e desnudou a sua alma. Ou o que resta dela. E o que vi não foi uma líder defendendo o seu país. Vi uma administradora da derrota, uma gestora da rendição, uma mulher que transformou a traição numa arte subtil.

Sobre Maduro e Cilia: a lealdade que não existe


Delcy diz que defende a inocência de Nicolás Maduro. Mas governa por mandato do mesmo país que o sequestrou. Essa contradição não é desajeitamento. É cálculo. Ela quer se legitimar perante a comunidade internacional aceitando o facto consumado da intervenção, mas sem assumir a responsabilidade política desse fato. Mantém um discurso de lealdade a Maduro para não perder o apoio interno que ainda lhe resta, enquanto executa a agenda de Washington.


E sobre Cilia Flores, silêncio absoluto. Nem uma palavra. A primeira combatente, a esposa do presidente legítimo, está encarcerada e Delcy não lhe dedica nem um minuto. Por quê? Porque Cilia é uma pedra no sapato da nova relação com os Estados Unidos. Porque mencioná-la seria lembrar que há presos políticos que não cabem no cálculo económico. Porque a nova Venezuela não tem espaço para os incómodos.


Sobre os Estados Unidos: o agressor convertido em sócio


Delcy falou de acordos comerciais. De cooperação em segurança. De luta contra o crime organizado. Tudo com o país que invadiu a Venezuela. Com o país que sequestrou o presidente legítimo. Com o país que tem Cilia Flores numa cela.


Não houve uma única palavra de condenação. Não houve uma única menção à violação da soberania. A invasão militar, na sua boca, transformou-se numa "mudança de administração negociada". A captura de um chefe de Estado pela força virou uma "oportunidade de negócio".


Isso não é diplomacia. Isso é colaboracionismo. É branquear a intervenção militar em troca de reativar a economia. É colocar preço à dignidade. E Delcy já colocou o seu.


Sobre os caídos: o silêncio que grita


Trinta e dois cubanos morreram na Venezuela defendendo a Revolução Bolivariana. Não são uma estatística. São nomes, são famílias, são mães que ainda choram, são filhos que cresceram sem pais. São médicos, assessores, militares que deixaram a sua terra para cumprir uma missão solidária e encontraram a morte em solo venezuelano.


E Delcy, na sua primeira grande entrevista internacional, não lhes dedicou nem uma palavra. Nem uma homenagem. Nem uma lembrança. Nem um "não os esquecemos".


Esse silêncio é eloquente. Para o novo governo, os caídos são um fardo. Um lembrete incómodo que deve ser esquecido para facilitar a aproximação com Washington. A memória dos que acreditaram na Revolução Bolivariana foi liquidada em favor dos interesses económicos do novo regime.


E sobre Cuba, o mesmo. Uma menção ambígua, retórica, sem compromisso real. Um desejo vago de "boas relações" que não vai mover um dedo pela ilha. A solidariedade com Cuba passou a ser um enunciado vazio, uma frase de cortesia, enquanto as sanções dos Estados Unidos contra nós se agravam e Delcy aplaude os acordos com Washington.


A traição já não é hipótese...

 

 

Eduardo Miguel Álvarez Estévez | 19 de julho de 2026



tim anderson - @timand2037

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