«Já tirámos Maduro, então agora vocês podem voltar para o país que tanto amam», foi a mensagem de Donald Trump aos venezuelanos que vivem nos Estados Unidos (EUA), após os bombardeios e o subsequente sequestro do presidente constitucional e da primeira-dama, Cilia Flores de Maduro.
Esta afirmação carregada de ironia deixa entrever que os voos de deportação possivelmente continuarão, além das batidas realizadas pelo Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE), que resultaram na deportação de mais de 200 mil migrantes latino-americanos nos primeiros 10 meses do governo republicano.
No caso da Venezuela, 17 mil venezuelanos foram repatriados dos Estados Unidos em voos semanais no âmbito do Plano Vuelta a la Patria, um número que, na opinião de alguns analistas, poderá aumentar.
Alegria de tuberculoso
Após a notícia do ataque militar e da captura do casal presidencial, muitos venezuelanos saíram para «comemorar»; no entanto, a alegria durou pouco: nas redes sociais foram relatadas batidas da ICE, nas quais vários compatriotas foram presos, enquanto outros internautas pediam para ligar para a imigração nos comentários de várias publicações.
Deixando a ironia de lado, muitos se perguntam o que acontecerá com seus pedidos de asilo, visto que cerca de 130.000 venezuelanos solicitaram permanecer naquele país sob essa figura jurídica, que pode ser revogada se “a situação no país de origem mudar” ou “se o medo original de perseguição não for mais válido ou fundamentado”.
Nesse sentido, Laura Dib Ayesta, diretora para a Venezuela do programa WOLA, disse à France 24 que a situação atual da Venezuela seria «uma justificação para mais deportações, no entendimento de que o país neste momento é seguro, esse seria o argumento».
Até ao momento, o governo republicano não mostrou sinais de qualquer mudança na política em relação aos migrantes venezuelanos.
No seu primeiro ano de mandato, deixou mais de 600 mil pessoas sem as suas autorizações de trabalho ou as proteções contra a deportação que lhes eram concedidas pelo Estatuto de Proteção Temporária (TPS), encerrou o programa de «liberdade condicional humanitária» que permitiu a entrada de mais de 117 mil venezuelanos, invocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros para levar 253 compatriotas para El Salvador e continua a prender requerentes de asilo em audiências judiciais.
Autora: K Jiménez
Fonte e crédito da foto: https://fusernews.com/analistas-preven-mas-redadas-y-deportaciones-de-venezolanos-tras-secuestro-del-presidente-maduro/