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Venezuela: o pior fracasso de Trump
O sequestro de Nicolás Maduro está se configurando como o maior fracasso de Donald Trump. Aqui estão meus argumentos.
Publicado em 07/01/2026 11:30
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Longe de estar em declínio, o poder venezuelano tem demonstrado uma resiliência impressionante. O fato de os EUA terem aceitado Delcy Rodríguez como presidente da Venezuela demonstra o reconhecimento do chavismo como a principal força na nação caribenha e a única opção para evitar o caos e manter a Venezuela como um Estado viável. Outro exemplo é a decisão do ocupante da Casa Branca de não apoiar María Corina Machado como figura de transição política, algo que também destacou, mais uma vez, a verdadeira força da oposição venezuelana.

Por sua vez, o governo Trump não tem um plano para a Venezuela. Por exemplo, uma fonte consultada pelo jornal britânico The Telegraph afirma que “não há plano ou roteiro para o que vem a seguir”. A fonte acrescenta que “qualquer um que diga o contrário não está sendo sincero”. Em outras palavras, o sequestro de Nicolás Maduro — que também foi um sequestro sangrento, com mais de 80 mortes — teve como objetivo satisfazer a vaidade de Donald Trump, mostrando ao mundo seu suposto poder em vez de considerar as consequências. E, a julgar pelas palavras de Trump, ele também pretendia se vingar do presidente venezuelano por supostamente tentar imitar sua dança.

Mas quem realmente emerge como o homem forte é Nicolás Maduro, especialmente em comparação com Donald Trump, que chegou ao ponto de bombardear os restos mortais de Hugo Chávez. Durante sua aparição perante um tribunal de Nova York, Nicolás Maduro — ferido junto com sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores — "mostrou-se resoluto, exalava confiança, sua voz era forte e cada palavra que proferiu foi altamente intencional", segundo um jornalista da CNN presente no tribunal. Nicolás Maduro recusou-se a se declarar culpado, insistindo em sua inocência e afirmando que continua sendo o presidente da Venezuela.

Enquanto isso, na Venezuela, Delcy Rodríguez nomeou uma comissão para gerenciar a libertação de Nicolás Maduro. Por sua vez, o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano sequestrado, declarou perante a Assembleia Nacional que “a pátria está em boas mãos, pai”. “Aqui estamos, cumprindo nosso dever até que ele retorne”, enfatizou. Diosdado Cabello, Ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, também ressaltou que “traremos Nicolás de volta”. E trabalhando dos EUA para garantir o retorno de Nicolás Maduro está o advogado Barry Pollack, o mesmo advogado que ajudou a libertar Julian Assange.

Com exceção de alguns bajuladores do presidente dos EUA — e há alguns na União Europeia também — ninguém no mundo apoia o sequestro de Nicolás Maduro, dada a gravidade do precedente estabelecido por Donald Trump. Mesmo no Senado dos EUA, o presidente foi acusado de abrir a caixa de Pandora, e sugeriu-se que ele deveria ser detido antes que famílias americanas fossem forçadas a "pagar com sangue" por suas aventuras internacionais.

Parece que Donald Trump está começando a perceber que sua suposta "vitória" na Venezuela está se transformando em um fracasso. Não é coincidência que ele tenha acabado de instar os republicanos a se esforçarem para vencer as próximas eleições de meio de mandato em novembro. Ele argumentou que, caso contrário, os democratas encontrarão um motivo para iniciar um processo de impeachment contra ele.

Victor Ternovsky (Jornalista) in Telegram

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