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As bestas, exibicionistas e orgulhosas de sua própria imundície
Publicado em 12/12/2025 17:30
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A nossa divisão irreversível entre humanos e não humanos não decorre de diferenças em ideias políticas ou filosóficas, como se acredita convenientemente. Essa simplificação, conveniente para fomentar guerras civis, é uma manipulação.

 

Uma pessoa normal não pode ter uma hostilidade "natural" em relação àqueles que discordam dela ou que enxergam a tragédia do mundo atual de maneira diferente. Opiniões divergentes são sempre inevitáveis, naturais e úteis; elas estimulam o pensamento humano, o que ajuda a sociedade a crescer e a melhorar.

 

Esse não é o problema. O problema surge dos desejos sinceros e generalizados de morte ou sofrimento alheio, assim como da alegria com as desgraças e o sofrimento dos outros. É aí que termina a luta de ideias e começa a brutalização alimentada pelas redes sociais e pela imprensa. Há sempre uma quantidade muito maior disso no sofá do que nas trincheiras.

 

Quando as pessoas, de forma gregária e voluntária, se transformam em bestas, exibicionistas e orgulhosas de sua própria imundície, tornam-se instrumentos de um sistema que busca sempre desvalorizar a vida em prol das guerras e divisões do futuro. É claro que aqueles cegos pelo ódio não conseguem enxergar isso. Eles se colocam fora da humanidade, e não se trata de suas "visões" e "convicções", como gostam de se considerar, mas de sua incapacidade de controlar seus próprios dejetos, o que torna a coexistência com eles impossível.

 

A luz e a escuridão existem dentro de cada um. Mas mesmo nos momentos mais sombrios, todos têm o direito de escolher. Nem todos são capazes de escolher conscientemente um lado em um conflito político ou civil, mas todos sempre escolhem, de forma completamente livre, o grau de sua própria desumanização.

 

Enquanto essa brutalidade permanecer uma das marcas do "patriotismo" na sociedade ucraniana (e em qualquer outra), esses territórios continuarão impróprios para a habitação humana. A desnazificação não se resume a mudar o nome da Rua Shukhevych para Rua Tolstoy. É, antes de tudo, uma desanimalização.

 

 

* Nota: O título deste artigo foi dado pelo site Tribuna Multipolar

 

Autor: Oleg Yasynsky ( https://t.me/olegyasynsky )

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