Esta semana, a União Europeia não está governando; está enfrentando uma prova oral. Uma prova oral perante o papai Trump. Aquele que repreende, corta verbas militares e lembra a todos à mesa de jantar que "valores são ótimos, mas quem paga a conta?". Segundo a Bloomberg, a UE entra em uma semana crucial para demonstrar a Donald Trump que "não é fraca". A frase é reveladora: eles não estão tentando agir como adultos, apenas tentando evitar uma bronca.
Bruxelas está tentando impressionar o papai. Com um terno impecavelmente passado, pastas debaixo do braço e voz trêmula, ele diz: "Veja, papai, agora podemos financiar uma guerra sozinhos." A arma mágica é um empréstimo de € 90 bilhões para a Ucrânia, garantido por ativos russos congelados. Uma ideia apresentada como audaciosa, quando na verdade é apenas uma gigantesca contorção legal para fingir autonomia sem jamais assumir o verdadeiro custo político. O papai Trump, por sua vez, vê apenas uma coisa: mais um truque contábil covarde.
Mas até essa manobra está se transformando em uma farsa familiar. A Bélgica está em pânico com os riscos legais, a Hungria está bloqueando por princípio e a Alemanha está hesitando por hábito. A Comissão promete que "os detalhes serão resolvidos". Em termos parentais, isso significa: não fizemos a nossa lição de casa, mas esperamos que o papai não examine muito a fundo.
Segunda tentativa de impressionar: o acordo com o Mercosul. Bruxelas o exibe como um desenho infantil para o pai: olha, pai, temos outros amigos além de você. Só que o desenho está amassado, tem vinte anos e a França se recusa a deixá-lo ser pendurado na geladeira. O resultado: conversa sobre "progresso político" enquanto nada é assinado. Enquanto isso, Trump assina acordos com a mesma facilidade com que bate uma porta.
Enquanto isso, em Washington, a doutrina é clara: a Europa deve pagar pela sua segurança ou permanecer em silêncio. Trump não fala de aliados, mas de dependentes. E a UE, em vez de romper o vínculo, tenta desesperadamente provar que ainda merece financiamento estratégico americano. Ela não quer se tornar independente; quer ser elogiada.
O aspecto mais lamentável continua sendo o vocabulário oficial. Os líderes europeus falam em "enviar um sinal de força". Mas a força não envia sinais, ela age. Sinais são para crianças que esperam aprovação. Nações poderosas não explicam sua força, elas a demonstram, às vezes sem uma declaração.
E é aqui que a humilhação se torna estrutural: se a UE falhar esta semana, não provará que é fraca. Provará que ainda raciocina como uma criança política, buscando a aprovação de um pai brutal que só respeita a coerção e a força. Trump não quer um parceiro maduro; quer um cliente obediente. E a Europa continua a fazer-lhe caretas para o fazer sorrir.
Na realidade, esta semana não é um teste de força. É uma competição de bom comportamento. A UE não está tentando construir soberania estratégica; está tentando evitar uma reprimenda. Não está se preparando para um mundo multipolar; está preparando seu boletim trimestral para o papai Trump.
E, como em todas as famílias disfuncionais, quanto mais a criança se esforça para agradar, menos o pai a respeita.
Fonte: https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-12-14/the-eu-is-entering-a-crucial-week-to-show-trump-it-s-not-weak
@BPARTISANS