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Punição Coletiva como “Presente” de Ano Novo para Refugiados Palestinos
Editorial da União Palestina da América Latina - UPAL
Publicado em 31/12/2025 15:10
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O Parlamento israelita aprovou uma lei que proíbe o fornecimento de eletricidade e água às instalações da UNRWA, uma decisão que transcende questões administrativas e se enquadra perfeitamente na lógica da punição coletiva, expressamente proibida pelo direito internacional humanitário.

 

Essa medida, adotada nos últimos dias do ano, não é acidental nem simbólica: constitui o presente de Ano Novo do Estado ocupante para milhões de refugiados palestinos, aos quais são negadas até mesmo as necessidades mais básicas da vida humana. Água e eletricidade não são privilégios ou concessões políticas: são direitos fundamentais sem os quais hospitais, escolas, centros de atendimento e abrigos não podem funcionar.

 

A ONU: Entre o Silêncio e a Inação

 

Mas tão grave quanto a lei aprovada pelo Knesset é a inação das Nações Unidas. As Nações Unidas, supostamente criadas para preservar a paz, proteger os povos e garantir o cumprimento do direito internacional, demonstram mais uma vez sua incapacidade estrutural de conter os crimes da potência ocupante.

 

Ano após ano, resolução após resolução, comunicado após comunicado, a ONU assiste à violação do seu próprio sistema sem quaisquer consequências reais para o agressor. A UNRWA — uma agência da própria ONU — é atacada, sufocada e criminalizada, enquanto a organização matriz se limita a expressões de “preocupação”, que se tornaram um ritual vazio diante do sofrimento palestino.

 

A pergunta é inevitável: de que serve o direito internacional se não é aplicado? De que serve a ONU se nem sequer protege suas próprias agências?

 

Uma mensagem clara: expulsar, apagar, destruir. Cortar o fornecimento de água e eletricidade para instalações humanitárias não é uma decisão técnica; é uma mensagem política brutal: quebrar a resistência civil, forçar o deslocamento de pessoas e tornar a vida inviável para o povo palestino, incluindo os refugiados que sobrevivem graças à assistência internacional.

 

Esta lei soma-se a uma longa lista de ações destinadas a desmantelar qualquer estrutura que mantenha viva a questão dos refugiados, porque, para o projeto sionista, a UNRWA não é um problema administrativo, mas uma lembrança incômoda de um crime histórico não resolvido: a Nakba.

 

Ano Novo, Mesma Injustiça

 

Enquanto o mundo celebra a mudança de calendário, os refugiados palestinos recebem o Ano Novo com mais punições, mais sufocamento e mais abandono internacional. Não há fogos de artifício, nem brindes, nem promessas de um futuro: há escuridão, sede e uma mensagem clara de que seu sofrimento continua tolerável para a comunidade internacional.

 

Da UPAL, denunciamos não apenas esta lei criminosa, mas também a cumplicidade por omissão de um sistema internacional que normalizou a impunidade israelense. Defender a UNRWA é defender o padrão humanitário mínimo; defender o direito à água e à eletricidade é defender a própria vida.

 

O povo palestino não precisa de caridade nem de discursos vazios de Ano Novo. Precisa de justiça, proteção real e do fim da ocupação.

 

 

União Palestina da América Latina – UPAL

 

31 de dezembro de 2025

 

 

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