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Os impérios decidem, as regiões obedecem
Constantin von Hoffmeister explica por que a retórica anti-imperialista se desintegra à medida que os impérios impõem a sua vontade.
Por Administrador
Publicado em 03/01/2026 23:47
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A Venezuela e Maduro tornaram-se a mais recente prova de que os slogans entram em colapso quando o poder entra em cena. A retórica anti-imperialista encheu os meios de comunicação e a diplomacia, mas nenhuma ação foi tomada para mudar o resultado. Os aliados mantiveram-se distantes. Uma velha regra permanece no centro da política mundial: o poder é o direito. Esta é a realidade vivida da multipolaridade darwiniana.

A recente ação dos Estados Unidos na Venezuela marca um momento decisivo na geopolítica contemporânea. A destituição de Nicolás Maduro pela força americana demonstra que o poder, e não princípios abstratos, continua a moldar os resultados internacionais. Os apelos às normas jurídicas e aos procedimentos multilaterais recuam quando os interesses estratégicos se afirmam. Este episódio confirma um padrão recorrente nos assuntos mundiais: os Estados que detêm força decisiva definem os limites da conduta aceitável, enquanto os atores mais fracos se ajustam às realidades que lhes são impostas.

Este desenvolvimento reforça uma lógica darwiniana que rege as relações entre potências numa era multipolar. A sobrevivência, a influência e a expansão favorecem os Estados capazes de coerção sustentada e unidade estratégica. A Venezuela ficou isolada, e o isolamento trouxe consequências. A simpatia regional existia na linguagem e no simbolismo, mas a assistência material não apareceu. Como previsto pela análise geopolítica, a solidariedade por si só teve pouco peso quando confrontada com uma força esmagadora.

 

A América do Sul, tal como o mundo islâmico, possui profundidade civilizacional, memória partilhada e continuidade cultural. No entanto, a civilização por si só não constitui um polo de poder. Um Estado civilizacional requer coesão, liderança coordenada e capacidade de projetar força. Na ausência dessas qualidades, prevalece a fragmentação. Assim como os países islâmicos sofrem repetidas humilhações devido à desunião em conflitos envolvendo Israel, a América do Sul revelou os seus limites estruturais ao não oferecer proteção nem ajuda à Venezuela.

O resultado revive doutrinas há muito consideradas obsoletas. A Doutrina Monroe continua a funcionar como o estado real das coisas, em vez de uma relíquia histórica, assim como a Europa Oriental continua a ser central para o ambiente estratégico da Rússia. As esferas de influência perduram, mesmo quando expressas em linguagem moderada. O que ganha aceitação numa região adquire legitimidade noutras. O poder aplica princípios simetricamente quando os interesses se alinham, reforçando padrões familiares às eras imperiais anteriores.

 

A retórica anti-imperialista enfrenta dificuldades porque se refere a um mundo que já não existe. A ordem emergente assemelha-se mais ao século XIX do que ao final do século XX, moldada por impérios rivais, hierarquias claras e fronteiras disputadas. Atualmente, quatro pólos soberanos exercem autonomia genuína: os Estados Unidos, a Rússia, a China e a Índia. Cada um governa o seu próprio espaço estratégico. O episódio venezuelano sinaliza o regresso de uma era definida pelo poder, pelos interesses e pela estrutura imperial.

 

 

Autor: Constantin von Hoffmeister in Substack

 

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